quinta-feira, 21 de abril de 2011

E viveram felizes para sempre... (ou não)

Todas nós crescemos a ouvir os maravilhosos contos de fadas e princesas, em que os vilões eram sempre castigados e o bem prevalecia. Muitas destas histórias foram adaptadas cinematograficamente, resultando daí os belos clássicos da Walt Disney, que tão bem preencheram a nossa infância e nos fizeram sonhar.

Mas... surpresa! É que as versões originais, recolhidas pelos irmãos Grimm, escritas por Anderson, Perrault, entre outros, são um pouco diferentes daquelas com que estamos familiarizadas...


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Capuchinho Vermelho

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Era uma vez uma menina que usava um bonito capuz vermelho feito pela sua avó. Foi enganada por um lobo (um lobo que fala... uau) e consequentemente papada, mas logo a seguir salva por um corajoso lenhador. WRONG!
Na versão original da história não há lenhador e tanto avó como neta são devoradas e pronto. A única personagem a "viver feliz para sempre" é o lobo, se é que não se cruzou com nenhum caçador furtivo.

Há ainda outra versão em que a Capuchinho faz um strip-tease ao lobo (ah, malandra!), fugindo quande ele está "distraído". Existe ainda outra em que o lobo estripa a avózinha e obriga a menina a jantá-la com ele. Mas ela, que não era parva, diz que tem de ir à casa-de-banho(que antigamente ficava na parte de fora das casas) e foge. Mas de qualquer forma, o lobo safa-se sempre.


Branca de Neve

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Esta é particularmente chocante.
Na versão original a Branca de Neve é uma criança de 7 anos.
Após o incidente com a maçã (tirando o final, o resto da história não é muito diferente da que conhecemos), fica adormecida e os anões choram a sua suposta morte. Mas entretanto, aparece um príncipe, que se apaixona imediatamente pela menina. Só que, em vez de lhe dar o "beijo de amor verdadeiro", carrega o corpo morto para o seu palácio, para que ela estivesse sempre com ele! (Tirem as vossas conclusões...) Durante a viagem para o palácio, um dos criados, já cansado de transportar o caixão, resolve descarregar a sua frustração na pequena Branca de Neve, dando-lhe, passo a expressão, uma grande sova. Um dos golpes desferidos no estômago faz com que ela vomite a maçã envenenada, voltando, assim, à vida.

A Bela Adormecida

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A Princesa, em vez de se picar na agulha, fica com uma farpa encravada debaixo da unha, ficando à mesma adormecida.
Certo dia aparece um príncipe, mas em vez de lhe dar o "beijo do verdadeiro amor" como no filme da Disney, prefere ir por outro caminho e aproveita-se vulnerabilidade da rapariga para satizfazer as suas necessidades (nove meses depois teve uma surpresa). Durante o tempo de gestação, o príncipe (nada encantado, por sinal!) ía "visitando" a rapariga.
Quando os bebés nasceram (tiveram gémeos), ao procurarem leite, acabaram por, acidentalmente, chupar o dedo da mãe, retirando, assim, a farpa amaldiçoada. (A minha questão aqui é: o que é que ela terá pensado quando acordou e viu 2 gaiatos na cama dela, mais cordões umbilicais, mais placentas e afins...)
Quando o príncipe voltou para mais uma "visita" e encontrou a Bela Adormecida acordada e com duas crianças ao colo, decidiu casar-se com ela (vá lá... ao menos isso...).
Nalgumas versões a mãe do príncipe era um ogre (isso explica o comportamento dele...), por isso ele não podia levar a Bela Adormecida para o seu palácio, pois, corria o risco de os seus filhos serem comidos pela avó. Assim, esperou que a sua mão morresse, para poder ir viver com a sua esposa para o seu reino.


Cinderela

{pixiedollhouse.blogspot.com }


A história no geral não muda muito, apenas o final.
Quando chega a hora de experimentar o sapatinho, as meias-irmãs com as suas patas nº 45, enfrentam grandes dificuldades. Mas para grandes males, grandes remédios: cortam os dedos dos pés para conseguirem calçar o sapato. Mas aqui entram entram em acção os passarinhos amigos da Cinderela (é deliciosa a forma como o macabro se mistura com o universo fofinho, não é?), que mostram ao príncipe o sangue a escorrer pelo sapatinho, e depois, como vingança por todo o mal feito à sua amiga, arrancam-lhes os olhos.

Mas não pensem que a Cinderela é a santinha que aparenta! Há versões em que é ela que mata a sua mãe, anos mais tarde o pai volta a casar, e o resto já se sabe.


A Pequena Sereia

{fanpop.com }


Tal como em "Cinderela", a principal diferença está no final.
A sereia bebe uma poção que lhe dará pernas, mas não teria de entregar a sua voz como na versão da Disney. A poção tem uma espécie de efeito secundário: durante o resto da sua vida iria sentir uma terrível dor nos pés, como se estivesse constantemente a pisar facas, mas ela aceita fazer esse sacrificio para poder ser feliz com o prícipe. Porém, mais tarde, ele apaixona-se por outra rapariga (que não é a bruxa disfarçada como no filme). As irmãs da sereia, dão-lhe um punhal para que com ele mate o príncipe, obtendo, assim, vingança. Contudo, em nome do amor, não o faz. Para evitar sofrer mais, atira-se ao mar, dissolvendo-se em espuma.

Estas e outras histórias, que actualmente são contadas às crianças eram, antigamente, destinadas aos adultos, daí os elevados níveis de violência, conteúdos sexuais, canibalismo...
Muitas delas evoluiram e sofreram alterações ao longo do tempo porque como não constavam num registo escrito, eram apenas transmitidas oralmente de geração em geração (é do género "quem conta um conto, acrescenta um ponto"). Outras, principalmente as que se inserem nas recolhas dos irmãos Grimm, que constituem a maioria dos contos de fada que conhecemos, foram alteradas por eles próprios, de modo a serem direccionadas a um público infantil.


Nota: Há muitas mais histórias cuja versão actual difere da original (por exemplo, a Bela e o Monstro, Hansel e Grettel, Os Três Porquinhos, etc), mas optei por escrever apenas sobre estas pois, caso contrário, seria um post interminável. Se tiverem curiosidade em ler outras procurem na internet, que encontram facilmente.

3 Opiniões:

Eliza disse...

A maior parte das supostas histórias originais que aqui descreves não são assim, nas reais histórias originais. Tanto nos contos de Grimm, como de Andersen, da Condessa de Ségur, de Perrault... Digo isto porque li muitos destes contos, não-adaptados, como habitualmente se encontram. E sim, é certo que são bem mais trágicos e abusivos do que a Disney tem mostrado ao longo do século passado, ou quaisquer outras adaptações literárias ou cinemáticas, mas muitas informações aqui contidas não correspondem aos contos reais. E reparei que em alguns, referes várias versões, e não há várias versões, isso são as adaptações. Existe um conto original, de, por exemplo, algum dos autores que acima mencionei, e penso que teria sido importante sublinhar apenas esse, que é o que importa (que também tem os seus horrores). Mas é a minha opinião, claramente. :) Gosto muito do blog, continuem.

innes disse...

Também li os contos originais quando criança e devo confessar que me aterrorizaram e me fizeram ter imensos pesadelos...no entanto acho importante mostrar às crianças que nem todas as histórias têm finais felizes, uma vez que têm que se preparar para a vida, que é tudo menos um conto de fadas!

daisy disse...

Eliza, talvez tenhas razão, mas as versões originais das histórias que constam neste post foram aquelas que encontrei enquanto pesquisava. Se estão correctas ou não, não sei, mas a verdade é que isso é algo difícil de provar, sobretudo no que toca aos contos dos irmãos Grimm. Uma vez que as histórias e lendas de que fizeram recolha e registo (e alterações, em certos casos) foram transmitidas apenas oralmente durante séculos, torna-se quase impossível chegar à origem.
Quando ao uso incorrecto da palavra "versões", passo a citar um portal da Universidade de Lisboa: "De tão famosas, muitas das histórias dos irmãos Grimm ganharam versões de outros autores". Assim sendo, penso que não foi descontextualizado referir algumas delas, pois também estas se afastam significativamente das que são contadas às crianças.
A Cinderela ou Gata Borralheira, por exemplo, possui cerca de 300 versões. A primeira que ouvi é totalmente diferente da que a Disney apresenta! É uma em que o baile dura 3 noites, em cada uma delas a Cinderela vai vestida de cobre, prata e ouro (acho que era assim) e na última perde o sapato que, segundo me parece, nem é de cristal. Desde essa altura ouvi as mais variadíssimas versões, com diferentes enredos.

Mas quer estas sejam, ou não, as versões originais, a minha intenção ao fazer este post foi mostrar a quem nos lê a evolução das histórias desde antigamente até aos dias de hoje. :)

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